Um dia tudo vai voltar a acontecer, eu vou voltar a amar, a cair e a erguer-me. Como sempre fiz. A vida é assim mesmo e nós temos que nos habituar a este ciclo de quedas e recomeços constates. Mas será que tudo volta exactamente da mesma maneira? Tudo recomeça do zero sem ser influenciado pelas marcas do que passou? Não, nem sempre. Mas a nossa força está em nós mesmos, a força necessária para gritar “EU SOU CAPAZ, EU QUERO SER FELIZ” a força necessária para conseguir ficar alheios a estas marcas do passado. E por isto, eu já não choro por pensar que nunca mais vou amar de verdade como um dia amei.
Quando me dei conta ele estava longe e eu não o podia recuperar, quando me dei conta senti-me acabada, senti que eu própria era o FIM. Mas será que haveria solução? Eu tentei, tentei de tudo, dei tudo (de mim). Recordei sem fim as suas palavras doces, a sua imagem que era a mais bela, que era o meu sorriso, a minha paz e a minha VIDA. Mas depois entendi, para ele eu já não era o amor platónico, o eterno, era uma memória. Talvez nem doce memória fosse. Para mim ele era um começo mas para ele eu era um fim. Ele estava longe, tinha já outros anjos que olhassem por ele, e eu? Eu estava parada no tempo, dentro de um só espaço, presa a uma data, a uma só imagem e a uma esperança que me corroía, MORTA por dentro. Sempre a recordar promessas como “Iremos ficar juntos para sempre” “PROMETO que nunca te deixarei”. Mas afinal o que são estas promessas, senão coisas que nos saem da boca quando assimilamos tudo de bom para dizer “EM NOME DO AMOR”? São frases ditas cujo significado é perdido após o amor se perder. São frases que acabam sempre por magoar alguém, são frases ESCUSADAS, hoje eu sei disso. E hoje, já nada passa por mim, estou imune a qualquer promessa, hoje sou MAIS EU, hoje sou feliz, sem o “para sempre” mas com o “que seja bom enquanto dure”. Hoje sou feliz por ter conseguido ultrapassar o meu isolamento, por ter conseguido ouvir o meu grito, por ter sido capaz, hoje sou feliz por já não chorar por saber que ele está longe, por saber que ele não vai voltar e já não me importar com isso.
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